Colectivo Liaisons: O caos que nos ordena

Quem não está comigo está contra mim, esta é a lei cósmica.

D.H. Lawrance, Apocalypse

Da minha pequena janela, vejo o confinamento como a ordem de uma razão que me é hostil. A doença, o vírus, a coação e o medo, o isolamento e os aplausos que atravessam a escuridão – já observei estas cenas na aterradora escrita de Philip K. Dick, Richard Matheson ou Margaret Atwood. O tempo das insurreições dá lugar ao tempo da pandemia, e contudo o que eu vejo é apenas uma aceleração perfeita desta razão hostil – a mesma que tem sufocado os seus povos. As ruas preenchidas apenas com as sombras da polícia, o controlo absoluto do movimento, recolher obrigatório, drones, racionamento, e uma nova medida económica desenhada para controlar a população através de multas exorbitantes – não foram estas as respostas já desenhadas nas reações às nossas revoltas?

Os vídeos virais da China, mostrando corpos abandonados em corredores de hospitais, ruas desertas e drones insistindo para as pessoas ficarem nas suas casas, residentes a confortarem-se uns aos outros gritando através das suas janelas num dado momento, ou prestando homenagem à classe médica, é agora a nossa rotina diária. A viralidade tornou-se literal. O mais irónico é a reação do nosso governo: é basicamente a mesma da China, testemunhando um isomorfismo político. Foi-nos dito que esta epidemia nunca atravessaria fronteiras, mesmo quando tinha atravessado dois continentes para infectar o norte de Itália. Até ao último momento, o governo mostrou-se imprudente, apelando à votação na primeira volta das eleições autárquicas, mesmo quando já há alguns dias chegavam de Itália mensagens alarmantes a alertar-nos para a catástrofe que se avisava.

Resumindo brevemente a cronologia para compreender o seu absurdo. Na semana de 9 de março, tivemos direito a um artigo de imprensa detalhando uma ida do casal presidencial ao teatro, encorajando-nos a continuar as nossas vidas despreocupadamente, o que a maioria de nós fez. De repente, no sábado, 14 de março, por volta das 20 horas e depois de nos terem instado a levar a nossa vida normal enquanto um desastre se anunciava, as autoridades comunicam que iam fechar todas as lojas, cafés, bares, teatros e cinemas nesse mesmo dia à meia-noite e por tempo indeterminado. Na altura, estava a trabalhar no meu bar habitual. Uma hora depois do anúncio, o mundo inteiro apressou-se a ter – como um cliente disse – “uma última cerveja antes do fim do mundo”. Embalados em conjunto e a implorar por uma bebida final, ninguém estava ciente da amplitude desta crise de saúde, porque as próprias autoridades encarregues de divulgar tal informação também a desconheciam. No dia seguinte, domingo, 15 de março, e contra o parecer das autoridades de saúde, mantiveram-se as eleições autárquicas (que tiveram uma taxa de abstenção histórica). A cidade estava repleta de cenas surrealistas: parques cheios de pessoas embriagadas com álcool barato de supermercados, e filas de cidadãos conscientes que iam votar mascarados e de luvas, seguindo as recomendações do governo de que “lavar as mãos e trazer de casa a sua própria caneta seriam medidas mais do que suficientes”.

O pânico terá finalmente vencido entre as altas esferas do estado, anunciando-se que Emmanuel Macron iria tomar decisões drásticas e explicá-las num discurso na segunda-feira, 17 de março, às 20h. Mais uma vez, as imagens de longas filas nos correios, em frente aos bancos ou nos supermercados materializaram-se em toda a França. Em Paris, milhares de pessoas podiam ser vistas a empilhar coisas num carro, ou a dirigirem-se para estações ainda abertas para fugir – levando consigo novos surtos de infecção[i].

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Sob uma atmosfera sombria, ouvimos as seguintes palavras do nosso presidente: “Estamos em guerra – uma guerra de saúde, certamente. Não estamos a lutar contra um exército ou outra nação, mas o inimigo está lá, invisível, evasivo e a avançar. E isso exige a nossa mobilização total.” Estas foram as palavras proferidas no discurso à nação para justificar o “confinamento” e o “estado de emergência de saúde”. Na sequência dos ataques que abalaram a França em novembro de 2015, François Hollande, o anterior presidente de França, iniciou o seu discurso com “a França está em guerra”, para justificar a ativação do estado de excepção. E prosseguiu: “Mas esta é um outro tipo de guerra, contra um novo adversário exige-se um regime constitucional para gerir o estado de crise.” Muito rapidamente vimos o resultado deste novo regime constitucional: detenções arbitrárias, declínio propositado da lei a favor da norma e o desenvolvimento de dispositivos formidáveis para controlar os descontentes.

Numa quinta-feira, de 9 de setembro de 1933, o escritor alemão Thomas Mann escreve no seu diário:

Métodos autoritários “fascistas” com contornos nacionalistas começam a substituir as clássicas formas de democracia por todo o lado [. .] deve o mundo curar-se de um misticismo manchado, de uma filosofia de vida desfigurada e misturada com o seu movimento? Porque as transformações em curso na tecnologia política e no governo assumem a forma de uma religião sangrenta de guerra e sangue cujo nível moral e intelectual é o mais miserável da sua história?» Como resultado, observa-se rapidamente as ambições do partido fascista: “O programa – parcialmente consciente e parcialmente inconsciente – é claro: primeiro, destruir o “inimigo interno”, isto é, tudo o que se opôs à guerra no seu interior [..] e em seguida – o que deve vir a seguir ninguém sabe, ninguém consegue vê-lo com antecedência, e nega querer vê-lo. Mas esperamos e ansiamos por isso em segredo, bem como pelo amado caos — um amor pelo qual nos sentimos chamados a liderar o mundo num plano político, e que abertamente se defenda com toda as forças esse mesmo fim.»

O amor ao caos é uma espada de dois gumes. No meio do vazio da minha geração, uma geração dos últimos anos do século XX, o caos era a única coisa com que podíamos sonhar com dignidade. Criados em cenários catastróficos, cada um de nós mostrava-se radiante com a possibilidade de um fim brutal e implacável para o nosso mundo. Sim, a minha geração cresceu neste vazio. Cresci sem certezas, alimentado por uma imaginação crepuscular onde a terra, a humanidade, o amor se transformavam num apocalipse mais formidável que a morte. Nada me restava a não ser a perspetiva de arruinar o mundo como os meus semelhantes humanos fizeram durante décadas, a trabalhar sem a esperança de uma vida tranquila, uma vez que a atividade laboral tinha chegado ao seu fim.

No entanto, ainda não tínhamos percebido até que ponto o caos já governava as nossas vidas e como coincidia com uma razão ordenada e hostil – a própria definição da guerra contemporânea. Passamos de mobilização total a mobilização total e de estado de excepção a estado de excepção; o caos ordena-nos. Governa o mundo e a sua própria existência leva as pessoas para casa, confinando-as atrás das suas pequenas janelas, difundindo o medo e o amor à ordem.

No coração desta guerra permanente — ou melhor, permanentemente declarada à medida que cada parte das nossas vidas se transforma numa frente de guerra – as insurreições invertem esta lógica. Aqueles que recusam a guerra “a partir de dentro” agem exatamente como o vírus e provocam as mesmas reações “imuno-autoritárias”. Substituem esta ordem caótica por uma outra mais sensível e inaceitável para o partido fascista, o partido da guerra. Insurreições, como o vírus, revelam a necessidade premente de inventar novas relações, enquanto as respostas imuno-autoritárias defendem o culminar de um vazio na qual a nossa geração cresceu.

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Apocalipse significa simplesmente revelação. Parece simples e no entanto, como D.H. Lawrence aponta no seu comentário sobre o Apocalipse, “os homens passaram quase dois mil anos a tentar descobrir o que é revelado em toda esta mistificação”. Para o nosso presente, a revelação é simples: guerra, e mais guerra, sempre e mais uma vez. Se não o tivéssemos ainda entendido, agora revela-se claro – os nossos líderes estiveram sempre em guerra. Todos têm um gosto particular pelo apocalipse, basta ver como se vangloriam em cada crise para exercer o seu apetite pelo apocalipse. O exercício do poder sempre exigiu uma atração oculta em relação ao apocalipse, pois é também onde se sustem o apelo à ordem. Quanto à minha geração, esta sempre foi a atração por defeito, porque nada veio para nos confortar e porque, no fundo, como Lawrence observa, o apocalipse é a auto-glorificação do poder destrutivo da humanidade. “Se tens de sofrer o martírio e se todo o universo for destruído ao mesmo tempo, ainda que, ainda que, Ó Cristão, tu deverás reinar como um rei e colocar o teu pé no pescoço dos velhos mestres!”, provoca Lawrence.

Os nossos “governantes” são seres gregários e diminuídos pelo espírito coletivo. Eles só se preocupam com a opinião e com o que dinheiro lhes traz. Sob a aparência de santos, são também o diabo. Aqueles que aceitam as suas guerras santas condenam-se a ligarem-se a uma autoridade que lhes retirará qualquer poder. Num estranho comentário sobre a situação atual, Giorgio Agamben observou que “o estado de medo que se espalhou nos últimos anos na consciência dos indivíduos e que se traduziu numa necessidade real de estado de pânico coletiva, tem na epidemia um pretexto ideal”. Algo elementar é aqui afirmado: a “sociedade” é constituída principalmente por indivíduos assustados que marcham na guerra dos nossos líderes. As insurreições recentes são uma clara tentativa de quebrar este passo e a resposta dos governos mantém-se clara e resoluta: mais guerra e mais medo – a mesma resposta dada à nossa crise de saúde atual.

Há, de facto, uma força maior do que a autoridade do “tu não deves” das nossas democracias. O apocalipse também revela uma possível saída do estado de excepção em que fomos encurralados. Há muito tempo que não mantemos qualquer relação empática com o cosmos (ou com o ambiente, como agora dizem). Esta perda de sensibilidade pelo que nos envolve e nos dá água, calor ou nervos, transformou o nosso cosmos num dragão destrutivo. A lua, o sol, as estrelas, as plantas, mas também a vida interna dos organismos virais, representam o ambiente perdido que nos assusta assim que regressa. Isto porque construímos um mundo ignorando-as – reduzindo-as a forças mecânicas e contingentes às nossas atividades. É claro que o vírus é tão mortal porque o nosso mundo foi construído pensando nos homens como os únicos mestres. “Aquele que não está comigo está contra mim” é a lei do cosmos, e cada um de nós que tinha o mundo como garantido paga agora o preço desse afastamento.

O fim dos tempos está longe de ser o fim das guerras impostas. Pelo contrário, continuam a rebentar a céu aberto. As explosões de guerra mobilizam continuamente aqueles que têm o hábito de tomar cada nova frente de batalha como uma oportunidade para mudar as coisas. Alain Badiou tem razão em notar que a epidemia é, no fundo, apenas uma epidemia, e que os actos de solidariedade que vemos não são novidade – que não há uma ameaça clara para o capitalismo. Paradoxalmente, ele fala como testemunha de outra era, em que a massa e o poder tiveram de se unir para garantir uma ação revolucionária e a transformação do mundo. Ele não repara que numa época em que o homem é afectado por forças e poderes com os quais se fundiu para sempre (radioatividade, CO2, novos vírus, inundações, incêndios e insurreições, etc.), a ação revolucionária requer, sobretudo, uma recomposição subtil dos equilíbrios bioquímicos-políticos que nos formam e definem as nossas ligações aos mundos.

Assim, é verdadeiro e justo apontar um dedo vingativo aos nossos líderes pela maneira como travaram esta guerra contra o cosmos, contra a vida. Mas também temos de aprofundar esta investigação e fazer-nos esta pergunta imperiosa: estou com ou contra o cosmos? O que o vírus diz sobre as nossas doenças? Esta é uma oportunidade como nunca para decidir e ver que as reações imuno-autoritárias são contra o cosmos. Limitam-nos ainda mais à solidão e à lógica do “tu não deves”. Estamos presos na chantagem de uma guerra em que há apenas dois campos: o do vírus e da morte, o da vida e do governo dos homens. Combater a propagação do vírus é crucial, mas a questão é fazê-lo de acordo com as artes da guerra ou com outras relações. Relações essas que não estão necessariamente por serem inventadas, mas sim para serem descobertas. Para escapar à nossa (auto)destruição e como Lawrence diz:

“Temos agora de recuperar o cosmos, e isso não será feito através de um truque de magia. Precisamos reviver todos os reflexos que morreram em nós. Matá-los levou-nos dois mil anos. Quem sabe quanto tempo vai demorar a reanimá-los? Quando ouço modernos a queixarem-se de estarem sozinhos, sei o que aconteceu. Perderam o cosmos. Não é humanidade nem personalidade que nos falta. O que nos falta é vida cósmica, o sol e a lua em nós. “

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«Os insignificantes cinco milénios do homo sapiens», diz um biólogo da nova geração, «correspondem em comparação com a história da vida orgânica na Terra, a qualquer coisa como dois segundos no fim de um dia com vinte e quatro horas. E toda a história da civilização humana, se a inseríssemos neste registo, mais não seria do que um quinto do último segundo da última hora.» O Agora (Jetztzeit), que, como modelo do tempo messiânico, concentra em si, numa abreviatura extrema, a história de toda a humanidade, corresponde milimetricamente àquela figura da história da humanidade no contexto do universo.[ii]

Walter Benjamin

Nas teses Sobre o conceito de História de Benjamin há, portanto, uma falta chamada cosmos. Uma vez destruída a história do progresso, os seus destroços ainda se encontram nas nossas retinas. Se estabelecemos como nossa a história dos vencidos e escavamos as sepulturas dos nossos antepassados há muito perdidos, o tempo dos oprimidos nunca é o mesmo da vida orgânica — o qual aparentemente parece seguir um rumo independente de guerras e revoluções. Quem se lembra de surtos de Gripe ou da Gripe Espanhola como um momento de qualquer tradição dos oprimidos? As guerras sempre trouxeram consigo epidemias, muitas vezes ceifando mais vidas do que qualquer batalha. Quando os europeus chegaram ao “Novo Mundo”, os agentes patogénicos que trouxeram consigo mataram muito mais do que a sua barbárie – terríveis aliados que os colonos por vezes usavam conscientemente. Em troca, uma das doenças mais conhecidas da humanidade, a Sífilis, aterrou nas costas europeias com o regresso de Colombo e levou milhões de vidas – o seu tratamento por mercúrio não foi em vão. Prisões, vírus, bactérias e outros agentes acompanham a nossa história sem nunca nela serem incluídos; centrado na sua Res Gestae, o homem vê-se a si próprio como imperador da terra e mestre da sua história. A grande política realiza-se por ela própria, e tanto o vencedor quanto o esquecido têm um rosto humano – mesmo que seja a face do Angelus Novus.

O que D.H. Lawrence nos dizia no período entre guerras, a ciência diz-nos agora. Só que o tempo passou e os segundos entre estes dois avisos acabaram por ser em vão. O tempo das pandemias globalizadas aproxima-se de forma irreversível, nem que seja porque perturbamos os ecossistemas naturais e extraímos do seu ambiente várias relações simbióticas. O Morcego como o Pangolim ou outros animais selvagens (mais de 70% dos zoonoses provêm de animais selvagens), têm como habitat natural a floresta. Quando estas são desflorestadas, estes animais esquecidos, desprezados e caçados fazem ninhos e inserem-se nos nossos habitats, levando à transmissão cruzada entre espécies, ou “spillovers”.

“Spillover” é o nome científico dado ao facto de um vírus saltar de uma espécie para outra pela primeira vez. Tais eventos só acontecem como resultado das nossas atividades. Zoonoses são produtos de agentes patogénicos que saltam de animais não humanos para humanos (SARS, SIDA, Ébola ou gripe espanhola são alguns exemplos). As pragas mortais da Idade Média também foram um exemplo de tais saltos, mas parece que o século XX teve mais spillovers do que alguma vez visto anteriormente. Quanto a este assustador século XXI, abre-se com uma cascata de saltos em todos os sentidos da palavra. O spillover coincide rigorosamente com a imagem do “tempo presente”. Reflete a desintegração dos nossos ecossistemas e estilos de vida, que se fragmentam e dissolvem. Despojados dos seus habitats, os agentes patogénicos aventuram-se nos nossos mercados e casas, sem outra escolha a não ser perecer ou atacar os únicos corpos que ainda não estão à beira da extinção.

Precisamos despertar um sentido de harmonia em nós. Não temos escolha, porque as ondas, incêndios, vírus e humanos saltam todos juntos. É este período único de spillovers que traz consigo esta resposta homogénea em nome do poder. Por que está o mundo em quarentena? Porque é que, em todo o mundo, tudo o que serve para manter a tradição dos oprimidos no seu lugar também serve para derrotar o Covid-19? Das insurreições às zoonoses, as reações imunitárias não tecem um continuum repressivo por acaso. Este vírus surge num momento preciso da história humana, numa altura em que cada um de nós é convidado a escolher entre a busca de uma vida que levará logicamente à extinção, ou a um requestionamento radical, aquele a que D.H. Lawrence apelou com todo o seu coração.

De certa forma, esse longo questionamento já começou. Falamos regularmente de “Antropoceno”, colocando a atividade da humanidade a um nível geológico equivalente à actividade eterna de vulcões, rios ou placas tectónicas. O conceito desta nova era tem sido mal utilizado ao ponto de ser rotulado de “era do homem”, na qual todo o que é deste mundo seria de alguma forma obra humana. Pelo contrário, o Antropoceno celebra o fim do homem, bem como o da natureza, mas ao fazê-lo, reconecta-se com a eterna correspondência vital entre a nossa vida e o ambiente, ou à abrangência [all-encompassing], como diriam os antigos gregos. Esta abrangência está longe de ser inerte, e as suas atividades não diferem das dos homens. Não há finalidade, nem telos. Trata-se, pura e simplesmente, do novo estado do mundo e todos os poderes de ação que o compõem. O nosso problema atual está em evitar subsumir a nossa relação com o cosmos sob uma ordem hierárquica, segundo a qual a nossa vitalidade é subordinada a uma dimensão mais elevada e organizadora. Outro spillover está em curso, desta vez relacionado com a forma como nos situamos, enquanto humanos, com os outros poderes do mundo.

Vitalidade e cosmos andam juntos; se um está em falta é porque o outro é esmagado, se o nosso desrespeito por tudo nos leva a devorar o mundo (mas também, que em nome de um Grande Todo, esmagamos todo e qualquer impulso vitalista). A vitalidade que nos escapa e regressa enquanto forma de desastre. Afinal, o desastre significa “perder a influência das estrelas” – esta é a origem do apocalipse e da história humana enquanto forma de assalto ao mundo, considerado como um reservatório inerte.


[i] De acordo com as estatísticas oficias, mais de um milhão de parisienses deixaram a cidade entre 13 e 20 de Março.

[ii]  Walter Benjamin, “Sobre o conceito de História”, in O Anjo da História, ed. João Barrento (Lisboa: Assírio & Alvim: 2008), 19-20.

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